Desespero e exagero: Landmark e Não Gosto de Plágio

24 de fevereiro de 2010

Ontem uma notícia indignou blogueiros de todas as áreas, e principalmente das que tratam de literatura.  Denise Bottmann, tradutora  e autora do blog Não Gosto de Plágio, foi processada pela editora Landmark por apresentar indícios de que houve plagio de tradução em um de seus livros. Eu vi a notícia primeiro no Livros e Afins, e logo ela se espalhou por diversos outros blogs que apoiam a iniciativa da blogueira.

O blog de Denise se destina a divulgar casos de uso indevido de traduções  por editoras brasileiras, através da comparação de diferentes edições de uma mesma obra. O que aconteceu com Denise  foi o seguinte: em seu blog, ela levantou a hipótese de que a nova edição de “Persuasão”, de Jane Austen, tenha sido plagiada pela Editora Landmark. Nos trechos apresentados por Denise, há até erros iguais de tradução de diferentes edições, como mostra o site O Livreiro em sua nota sobre o assunto.

A Landmark abriu um processo contra Denise, exigindo a remoção imediata do blog Não Gosto de Plágio e o pagamento de uma indenização por danos morais. A atitude não foi menos que exagerada. Além disso, a editora exigiu que o processo tivesse publicidade restrita, ou seja, que não fosse divulgado. Felizmente, o juiz não acatou esse pedido, nem a remoção imediata do blog na rede, alegando liberdade de expressão. Assim, Denise pode divulgar o seu caso, que está sendo apoiado por diversos blogs.

Mas por que a atitude da Landmark foi exagerada? Primeiro: Denise não foi contatada previamente pela Editora. Esta prefiriu jogar o caso diretamente na justiça. Segundo: a exigência de que o blog seja tirado do ar. Quando uma empresa é de alguma forma difamada por um jornal ou revista, ela não vai querer que fechem a redação e a tirem de circulação. A não ser que seu “dono” seja Hugo Chávez. Então por que exigir isso de um blog? Só porque ele pode ser criado facilmente não quer dizer que ele também pode ser deletado assim, do nada. Pedir a remoção do post é muito mais sensato e resolveria o problema da editora. Mas não, a Landmark se desesperou. E exagerou.

O blog do Meia Palavra publicou um texto que reúne links de diversos outros blogs que já se pronunciaram sobre o processo da editora contra Denise. Recomendo olhar todos e também fazer essa divulgação.

Cabe agora à investigação provar se a editora Landmark realmente plagiou a tradução ou não. Caso sejam comprovadas as denúncias, será mais uma vitória de Denise contra editoras sem o mínimo respeito a tradutores. Esses profissionais não recebem o devido crédito pelo trabalho que fazem, e está mais do que na hora de mudar esse quadro.


Arquivado em: Aleatoriedades Literárias

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  • 1. Mi Müller  |  24 de fevereiro de 2010 às 22:34

    Izze obrigada por teu apoio! Tu escrevestes um excelente artigo, como sempre!

    estrelinhas coloridas…

  • 2. denise bottmann  |  24 de fevereiro de 2010 às 23:08

    taize, obrigada pelo apoio e pela divulgação.

  • 3. Indily  |  24 de fevereiro de 2010 às 23:49

    Como falei no tópico do OMG a respeito, entendo sim que para a Editora realmente haja um prejuízo quando um blog, destinado a plágios e literatura, e bem acessado fala abertamente que suas edições são plágios de outros e tal, e como uma pseudo advogada e juridicamente falando, danos morais e pedido para retirada de site seria o básico de se pedir nessas horas se a situação fosse plausível realmente.

    Mas ao mesmo tempo, uma editora chegar a ao ponto de processar um blog chega a ser idiotice e de certa forma até um chamariz para holofotes negativos para eles mesmos…

    Acredito que um pedido formal solicitando alteração no post, ou retirada do mesmo seria mais digno do que chegar a isso. E pelo que andei lendo ainda tem o fator de estarem pedindo um valor abusivo de danos morais pra autora do blog. Achei bem ridículo chegar a tal ponto. Afinal os “grandes” deveriam saber se portar mediante certos comentários… imagina se cada um de quem é dito em blogs na internet começar realmente a fazer esse furdúncio todo!

    Se tivesse se preocupado em tentar ir atrás dela para alterar ou remover o post talvez o mesmo já estivesse fora do ar! Ao invés disso entraram com o processo…

    Prejudicial de qualquer forma… o “fusuê” só faz piorar e uma editora ja deveria saber disso. Quando se vive de expor sua imagem, está sujeito a bons e maus comentários. A coisa só inflama se não souber lidar com isso! E é aí que entra o bom senso que o pessoa da editora perdeu em algum lugar

    Outra coisa que achei ridícula é a Editora pedir segredo de justiça… será uma forma discreta e legal de usar o termo censura?! Afinal, segredo de justiça pra não mostrar algo que é completamente público foi bem esquisito.

    Achei sensato o juiz…

  • 4. Tradutores protestam cont&hellip  |  1 de março de 2010 às 12:28

    [...] 1, 2010 O caso do processo da editora Landmark contra a blogueira e tradutora Denise Bottmann todos ja conhecem. Agora, os tradutores Eloisa Jahn, Jorio Dauster, Ivone Benedetti e Ivo Barroso [...]

  • 5. apoiodenise&hellip  |  5 de março de 2010 às 20:50

    [...] r.izze.nhas, Desespero e exagero: Landmark e Não Gosto de Plágio [...]

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